Flores
para psicopoeta
Eu acho estranho – apesar de ser muito romântico – o
namorado das flores de presente à namorada. O presente – seja o que for –
simboliza o sentimento que ele tem por ela. E ao dar flores, o sentimento, o
carinho, amor... está ali, naquelas flores. Mas é uma pena que um dia elas
murcham, e ficamos esperando que o sentimento também não murche. Até que meu
namorado chega à minha casa com flores.
Talvez eu não seja tão sentimental assim, mas também
isso não quer dizer que sou sem coração. O fato de jogar no lixo as flores que
ganhei cinco dias antes, não mostra o desprezo que “tenho” pelas flores, ou
pelo sentimento, mas mostra a coragem de respirar fundo e me livrar das flores
que deixaram meu quarto fedendo a cemitério.
E lembro-me daquele moço, que deixou a segurança da
sua franqueza para vim para essa – e com essa – audácia e correr o risco de me
amar. E lembro também do dia das flores, com aquela sua cara de bobo, enquanto
eu o acusava: - Eu te verseio, você vem e, sem permissão, se poema!
E de loucura a loucura nos endoidamos e nos curamos.
E de níveis de doidice, tu és o mais doido. Afinal, tu me namora.
E de flores, eu sou o vaso e tu as rosas. E de
poemas, eu sou o verso e tu a linha. E de vida, eu sou a vítima e tu és o
mocinho que salvou meu coração dos espinhos. Eu não sou do mal, não sou uma
psicopata e nem o coringa. Eu sou do verso, sou uma poetisa da alma.
A propósito, não entendo o motivo de me acharem uma
psicopata. Um psicopata não tem sentimentos, mata de manhã para jantar a noite.
E eu? Uma mera moça que precisa de afeto. Sou uma psicopoeta, que mata dores no
papel, para conseguir dormir a noite.
- Myrelle Padilha.
Nenhum comentário:
Postar um comentário