sexta-feira, 27 de junho de 2014

Flores para psicopoeta



Flores para psicopoeta


Eu acho estranho – apesar de ser muito romântico – o namorado das flores de presente à namorada. O presente – seja o que for – simboliza o sentimento que ele tem por ela. E ao dar flores, o sentimento, o carinho, amor... está ali, naquelas flores. Mas é uma pena que um dia elas murcham, e ficamos esperando que o sentimento também não murche. Até que meu namorado chega à minha casa com flores.

Talvez eu não seja tão sentimental assim, mas também isso não quer dizer que sou sem coração. O fato de jogar no lixo as flores que ganhei cinco dias antes, não mostra o desprezo que “tenho” pelas flores, ou pelo sentimento, mas mostra a coragem de respirar fundo e me livrar das flores que deixaram meu quarto fedendo a cemitério.

E lembro-me daquele moço, que deixou a segurança da sua franqueza para vim para essa – e com essa – audácia e correr o risco de me amar. E lembro também do dia das flores, com aquela sua cara de bobo, enquanto eu o acusava: - Eu te verseio, você vem e, sem permissão, se poema!

E de loucura a loucura nos endoidamos e nos curamos. E de níveis de doidice, tu és o mais doido. Afinal, tu me namora.

E de flores, eu sou o vaso e tu as rosas. E de poemas, eu sou o verso e tu a linha. E de vida, eu sou a vítima e tu és o mocinho que salvou meu coração dos espinhos. Eu não sou do mal, não sou uma psicopata e nem o coringa. Eu sou do verso, sou uma poetisa da alma.

A propósito, não entendo o motivo de me acharem uma psicopata. Um psicopata não tem sentimentos, mata de manhã para jantar a noite. E eu? Uma mera moça que precisa de afeto. Sou uma psicopoeta, que mata dores no papel, para conseguir dormir a noite.

- Myrelle Padilha.

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